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quarta-feira, 4 de abril de 2007

Cinema - Review VIII (Marie Antoinette)

Título Original: Marie Antoinette (2006)
Nota: 2,5/5 (Razoável)
Realizador: Sofia Coppola
Argumento: Sofia Coppola
Elenco: Kirsten Dunst, Jason Schwartzman, Rip Torn, Steve Coogan, entre outros
Género: Drama
Duração: 123 minutos

O 3º filme de Sofia Coppola foi, como já se esperava, uma grande desilusão. Rico visualmente, mas vazio em termos de conteúdo na maior parte da sua duração, Marie Antoinette é um filme meramente razoável. A hora e meia inicial do filme consiste numa “orgia” de festas, mexericos, roupas e penteados extravagantes, à medida que acompanhamos Marie a tentar adaptar-se às tradições e costumes da alta sociedade francesa. Passado pouco tempo, o filme começa a ser cansativo, porque a história avança muito devagar e o desenvolvimento das personagens é reduzido. As escolhas musicais também não ajudam, alternando entre música da época e música actual, uma fusão que raramente é bem sucedida.

O melhor do filme é, sem dúvida, a meia hora final, quando se inicia a Revolução Francesa. Marie e o resto da família real são apanhados no clima tumultuoso e violento que se instala e serão, anos mais tarde, guilhotinados. A decisão de Sofia Coppola em dar mais importância ao período anterior ao da revolução constitui um enorme desperdício. Do meu ponto de vista, a parte realmente “interessante” da vida da personagem principal corresponde ao período pós-revolucionário, em que Marie e o rei esperam pela morte na guilhotina e onde se poderia estabelecer um contraste entre a anterior opulência e a miséria que fez parte das suas vidas até ao fim. Em vez disso, o filme possui uma história inconsequente e com poucas reviravoltas que despertem o interesse do espectador.

As personagens do filme não são muito interessantes (Marie é uma pessoa alegre, fútil, mimada e completamente isolada do mundo real, onde a pobreza e a miséria abundam) e as interpretações são meramente adequadas. Esperemos que Sofia Coppola não siga o exemplo de M. Night Shyamalan, que começou muito bem e que, pouco a pouco, se foi afundando no seu próprio ego.

sábado, 10 de março de 2007

Cinema - Review VII (Scary Movie 4)


Título Original: Scary Movie 4 (2006)
Nota: 2,5/5 (Razoável)
Realizador: David Zucker
Argumento: Craig Mazin, Jim Abrahams e Pat Proft
Elenco: Craig Bierko, Anna Faris, Regina Hall, Anthony Anderson, Leslie Nielsen, Bill Pullman, Michael Madsen, entre outros
Género: Comédia
Duração: 83 minutos

Sinopse: Cindy Campbell (Anna Faris) aceitou um trabalho como empregada numa casa onde vive uma senhora de idade, casa essa que dizem estar assombrada. Na casa ao lado, vive Tom Ryan (Craig Bierko), um pai divorciado, que aproveita o pouco tempo passado com os 2 filhos para melhorar a sua relação com eles. Cindy apercebe-se de um segredo relacionado com a casa onde trabalha e estabelece uma relação de amizade com Tom, no momento em que o planeta é invadido por extraterrestres. O filme conta as aventuras de Cindy, Tom e os seus dois filhos, à medida que tentam solucionar o mistério associado à casa onde Cindy trabalha e salvar o planeta da invasão extraterrestre.

Crítica: Como referi na crítica ao filme Freddy Got Fingered, a comédia é algo subjectivo. Conheço muita gente que gostou dos 2 primeiros filmes desta série, mas eu não gostei. Apesar desses 2 filmes terem muitas cenas engraçadas e divertidas, outras eram péssimas e não tinham piada nenhuma. Assim, quando soube que o 3º filme ia ser escrito e realizado por pessoas responsáveis por filmes como o Aeroplano, os Onde Pára a Policia e afins, fiquei interessado e fui vê-lo ao cinema. Pela primeira vez, um filme da série Scary Movie escapou ao Bottom (4/10). O 4º capítulo da série é ainda melhor que o anterior, mas está longe de ser uma comédia recomendada.

Ao fazer-se uma crítica a este género de filmes, é inútil estar a falar do argumento, já que esse não é mais do que uma tentativa de colar cenas de múltiplos filmes e gozar com eles. Assim, de modo a perceber o que se está a passar e entender grande parte das piadas, é necessário ter visto alguns filmes (War Of The Worlds, The Village, The Grudge, Fahrenheit 9/11, Million Dollar Baby, Saw e Brokeback Mountain) e ter visto a recente e famosa entrevista de Oprah a Tom Cruise. As personagens são bidimensionais, mas são divertidas e as interpretações são adequadas. Existem muitas piadas que são bem construídas, mas não resultam, enquanto que outras são engraçadas ou mesmo hilariantes (as cenas em que se goza com Million Dollar Baby, Saw, The Village e com a já referida entrevista). Com a substituição dos irmãos Wayans por David Zucker e companhia, tem-se verificado um decréscimo do toilet humor, passando para um humor mais pateta e tradicional, típico dos filmes de Zucker, que é mais do meu agrado. De um modo geral, Scary Movie 4 é um filme razoável e bem disposto e constitui um passo em frente nesta série de filmes.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Cinema - Review VI (M:I 3)

Título Original: Mission: Impossible III (2006)
Nota: 3/5 (Fixe)
Realizador: J.J. Abrams
Argumento: J.J. Abrams, Alex Kurtzman e Roberto Orci
Elenco: Tom Cruise, Ving Rhames, Keri Russell, Philip Seymour Hoffman, Michelle Monaghan, entre outros
Género: Acção/Thriller
Duração: 126 minutos

Sinopse: O agente da IMF Ethan Hunt (Tom Cruise) retirou-se e dedica-se agora ao treino de agentes, ao mesmo tempo que planeia casar-se com a sua namorada Julia (Michelle Monaghan). No entanto, é forçado a voltar ao activo, quando uma das agentes que treinou é capturada enquanto investigava um traficante de armas internacional de nome Owen Davian (Philip Seymour Hoffman). Contando com a ajuda do seu velho amigo e especialista informático Luther Strickell (Ving Rhames) e dos novos membros da equipa (Maggie Q e Jonathan Rhys Meyers), Ethan terá de dar o seu máximo para apanhar Davian e resgatar a sua namorada, que entretanto fora raptada.

Crítica: Com a estreia de Missão Impossível 3, abriu oficialmente a época dos blockbusters de verão de 2006 e confesso que estava à espera que essa época começasse de melhor maneira do que começou. Enquanto que o original foi realizado por Brian De Palma e a sequela por John Woo, o terceiro filme da série constitui a estreia cinematográfica de um dos mais conhecidos e bem sucedidos realizadores do pequeno ecrã, J.J. Abrams. Abrams traz o seu toque pessoal a este filme, tentando mostrar o lado mais humano de Ethan Hunt, que tinha sido pouco explorado nos dois capítulos anteriores. Repleto de acção, que é quase non-stop, o filme só desacelera nas alturas em que pretende dar a conhecer um pouco mais do lado pessoal da personagem interpretada por Cruise.

Essa estratégia podia ter sido melhor explorada, pois as cenas do filme que mostram a interacção entre Ethan e Julia são poucas e não são suficientes para permitir ao público estabelecer uma ligação mais forte com as personagens, o que permitiria tornar o desenrolar dos acontecimentos mais emocionante. Mas, afinal de contas, não se trata de um drama e as pessoas pagaram o bilhete na expectativa de ver cenas de acção espectaculares e emocionantes, com stunts arriscadas, explosões e tiros em quantidade elevada. As cenas de acção do filme são bem concebidas e interessantes, mas nós já vimos esse género de coisas noutros filmes, acabando por não ser tão emocionantes como desejaríamos.

A história do filme, à semelhança do 2º capítulo, é simples e relativamente fácil de seguir. Começa de um modo bastante tenso, com Davian a ameaçar matar Julia, em frente de um Ethan Hunt preso a uma cadeira e a implorar pela vida da sua namorada. Davian quer que Ethan lhe diga a localização de algo chamado “Pata de Coelho”, começando uma contagem decrescente que termina com um tiro e é seguida de um flashback, no qual somos informados de tudo o que acontecera até aquele ponto. Ethan estava à beira de se casar com Julia (que desconhece que ele é um espião), quando é forçado a voltar ao activo para tentar resgatar em Berlim uma das agentes que treinou (Keri Russell), que fora capturada por Davian. A operação não é totalmente bem sucedida, mas leva à revelação da existência de um agente infiltrado na IMF e ao planeamento de uma nova missão, que tem por objectivo a captura de Davian, de modo a impedir a venda de uma arma não especificada e que é apenas conhecida por “Pata de Coelho"....

Com o desenrolar dos acontecimentos, a equipa liderada por Hunt é forçada a deslocar-se a vários locais: Roma, Maryland e finalmente a Shanghai, onde o flashback termina e a acção volta ao presente. Em cada um desses locais, as operações são coordenadas e executadas em equipa, algo que tinha sido pouco explorado no 2º filme da série. Um dos defeitos que aponto ao filme é o desperdício da personagem Owen Davian, que constitui um vilão bastante interessante (boa interpretação de Philip Seymour Hoffman, depois de ter recebido o Óscar de Melhor Actor), mas que aparece pouco tempo no filme, sendo a certa altura relegado para 2º plano. As restantes interpretações são adequadas, cabendo a Cruise desempenhar o papel do coelho das pilhas Duracell (usando uma frase de Todd McCarthy: “Tom Cruise pareceu determinado a efectuar a mais persuasiva personificação humana de um Ferrari”). A realização de J.J. Abrams é sólida, sendo particularmente eficaz na cena inicial, onde foi gerado um nível de tensão e de intensidade que infelizmente não esteve presente no resto do filme. Em geral, considero o filme um blockbuster divertido e satisfatório, mas que ficou aquém das minhas expectativas, já que esperava um filme mais intenso e emocionante.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Cinema - Review V (JFK)

Título Original: JFK (1991)
Nota: 5/5 (Muito Bom)
Realizador: Oliver Stone
Argumento: Oliver Stone e Zachary Sklar
Elenco: Kevin Costner, Tommy Lee Jones, Kevin Bacon, Gary Oldman, Sissi Spacek, Michael Rooker, Jay O. Sanders, Donald Sutherland entre outros
Género: Drama/Mistério/Thriller
Duração: 189 minutos

Sinopse: O filme fala das investigações levadas a cabo pelo procurador público de New Orleans (Jim Garrison) e a sua equipa ao homícidio do presidente John F. Kennedy. Garrison não acreditava na versão oficial e decidiu fazer a sua própria investigação, com o objectivo de demonstrar a existência de uma conspiração por trás do homícidio. Ao longo das suas investigações, Garrison descobre que a verdade é muita mais sinistra do que parecia inicialmente, o que irá por em risco não só a sua própria vida, mas também a de todos aqueles a quem ele ama.

Crítica: O filme de Stone é bastante controverso e nem sempre é baseado em factos reais, o que não o impede, no entanto, de ser um dos filmes mais poderosos e fascinantes que vi. Baseando-se em pormenores verídicos (até hoje, Jim Garrison foi a única pessoa a levar a tribunal alguém pelo homicídio de JFK) e na quantidade enorme de informação que existia sobre o acontecimento, Stone expõe uma enorme e complexa conspiração, recheada de personagens sinistras e de motivos obscuros, que levaram ao assassinato do presidente.

Recorrendo a uma edição e a uma cinematografia primorosas, Stone consegue “colar” uma quantidade enorme de informação num só filme, como se se tratasse de um gigantesco puzzle. Quer se trate de cenas a preto e branco (que recriam acontecimentos que poderão ou não ter acontecido), fotos, vídeos de 8, 16 e 35 mm ou imagens a cores, todos esses meios visuais são utilizadas para estabelecer as bases do filme e definir a complexa relação que existe entre o elevado número de personagens que populam o universo criado por Stone. O realizador não acredita em todas as teorias do verdadeiro Garrison (que curiosamente aparece no filme desempenhando o papel do líder da Comissão Warren!!!) e por isso expõe, através da personagem Jim Garrison, as suas próprias opiniões sobre o que realmente aconteceu, usando muitas vezes informação que só foi obtida depois do período que é retratado no filme.

Á medida que a investigação avança, Garrison e a sua equipa começam a desmistificar o papel de Oswald no homícidio, relegando-o para um plano secundário, considerando-o como um simples peão num complexo e gigantesco jogo de xadrez. Com o passar do tempo, a sua investigação torna-se pública e as suas conclusões afastam-se cada vez mais da versão oficial. Garrison e a sua equipa sofrem intimidações, recebem ameaças de morte e a sua credibilidade pouco a pouco vai sendo destruída.

Cresce a desconfiança entre os próprios membros da equipa, mas Garrison não desiste de procurar a verdade, mesmo que durante esse processo esteja a afastar-se cada vez mais da sua família (que não aceita a sua obsessão com o homicídio e sente a falta do que até então era um dedicado pai de família). Pouco a pouco, as fontes mais importantes de informação vão sendo eliminadas e Garrison vê-se obrigado a acusar Clay Shaw (um conhecido empresário de New Orleans e um dos suspeitos principais desde o início da investigação) de participação na conspiração para matar o presidente.

Garrison obtém também informações de um indivíduo que se auto-intitula X, que lhe diz ser um ex-militar que esteve envolvido em muitas operações clandestinas do governo americano desde a 2º Guerra Mundial. O que essa personagem conta a Garrison fá-lo perceber a real magnitude da conspiração e entender como o mandato de Kennedy na Casa Branca constituiu uma poderosa ameaça ao poder instituído, o que terá causado a sua morte, morte essa que teve no escalar da guerra do Vietname (onde morreram cerca de 58 mil soldados americanos) a sua consequência mais trágica.

No julgamento, Garrison faz um resumo de tudo o que foi descoberto pela sua investigação, tentando reescrever a história, com o intuito de que os verdadeiros responsáveis pela morte de Kennedy sejam, mais tarde ou mais cedo, acusados pelos seus crimes. É importante realçar novamente que uma quantidade considerável da informação fornecida no filme não foi provada, é falsa ou então resulta de simples especulação, mas afinal de contas não se trata de um documentário (usando as palavras do crítico Roger Ebert: “Em geral, sou da opinião que os filmes constituem o local errado para a exposição de factos”). O filme é um “casamento” fascinante entre facto e ficção, onde o que interessa reter é o seguinte: que o povo americano e o mundo foram enganados e que o conceito de Justiça foi propositadamente esquecido, tudo com o objectivo de permitir a satisfação de homens sedentos de poder, que têm ao seu dispor meios mais do que suficientes para atingirem os seus objectivos.

As necessidades desses homens sobrepõem-se às liberdades individuais e à noção de Justiça, que são ideias fulcrais e conferidas a todos os seres humanos. O filme é fabuloso no sentido em que nos oferece uma visão privilegiada sobre um dos desejos inatos mais marcantes no ser humano: o seu desejo de poder e a corrupção que lhe está associada. Além de uma soberba realização de Stone, o filme conta com interpretações sólidas de Kevin Costner e Tommy Lee Jones (que recebeu uma nomeação da academia pela sua interpretação de Clay Shaw), entre outros. Costner efectua a melhor e mais memorável representação da sua carreira até ao momento, interpretando Jim Garrison como um homem apaixonado por uma causa, que é teimoso e está irritado por os seus filhos crescerem num país onde o governo mente ao povo e o priva dos seus direitos mais essenciais. A sua demanda pela verdade constitui o motor do filme. Destaco também a banda sonora de John Williams, que complementa de um modo bastante eficaz a complexidade visual do filme, ao mesmo tempo que realça a mensagem que Stone nos quer transmitir.

Acima de tudo, JFK é um filme que nos faz pensar sobre o mundo em que vivemos, onde a verdade constitui uma ameaça ao poder e onde os interesses de alguns ditam o rumo da política mundial, com as consequências trágicas que daí resultam. Stone experimentou tudo isso em primeira mão (tendo ele próprio combatido no Vietname) e tentou mais tarde expor nos seus filmes, não só as origens e as consequências dessas duas tragédias americanas (o assassinato de JFK e a guerra do Vietname), mas também retratar um período de tempo em que a América perdeu a sua inocência.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Cinema - Review IV (Grandma´s Boy)

Título Original: Grandma´s Boy (2006)
Nota: 2,5/5 (Razoável)
Realizador: Nicholaus Goossen
Argumento: Barry Wernick, Allen Covert e Nick Swardson
Elenco: Linda Cardellini, Allen Covert, Peter Dante, Shirley Jones, Shirley Knight, Joel Moore, Kevin Nealon, Doris Roberts, Nick Swardson, entre outros
Género: Comédia
Duração: 94 minutos

Sinopse: Durante o dia, Alex (Allen Covert) é um vídeo game tester, enquanto que durante a noite, desenvolve em segredo o seu próprio jogo. Quando o seu colega de quarto gasta todo o dinheiro da renda em prostitutas, Alex é forçado a ir viver para a casa da avó e das suas duas amigas (em que uma delas é louca e a outra é uma tarada sexual). Alex e os seus amigos vídeo game testers tentam a todo o custo fazer a análise de um novo jogo, criado pelo brilhante mas estranho J.P. (Joel Moore), antes de um prazo limite, ao mesmo tempo que tentam lidar com a nova coordenadora de equipa, Samantha (Linda Cardellini).

Crítica: Confesso que a principal razão pela qual vi este filme tem a ver com a péssima nota que James Berardinelli lhe atribuiu. Estava à espera de um filme muito mau, mas fiquei agradavelmente surpreendido, pois trata-se de uma comédia bem disposta, patética, desleixada e muito louca. O filme tem algumas piadas hilariantes (a cameo de Rob Schneider, o comportamento estranho de J.P. e um mal entendido relacionado com Alex e as suas “colegas de quarto” são alguns exemplos) e outras más e um pouco perturbadoras (uma delas envolve uma cena em que a mãe de uma das personagens principais é pulverizada pelo produto final da masturbação de Alex).

Além de nos apresentar uma visão curiosa da cultura dos game testers, o filme destaca-se por apresentarnos um conjunto de personagens completamente loucas e estranhas e um festival de one-liners memoráveis. As interpretações são adequadas para este tipo de filme, destacando-se Linda Cardellini no papel da coordenadora de equipa, a única personagem normal do filme. O argumento não é nada de especial (o character development, como seria de esperar, é nulo), sendo adequado para este género de filme. Em geral, considero-o um filme divertido e alucinado, mas meramente razoável.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Cinema - Review III (Freddy Got Fingered)

Título Original: Freddy Got Fingered (2001)
Nota: 1/5 (Muito Mau)
Realizador: Tom Green
Argumento: Tom Green e Derek Harvie
Elenco: Tom Green, Rip Torn, Marisa Coughlan, Eddie Kaye Thomas, Julie Hagerty, entre outros
Género: Comédia
Duração: 87 minutos

Sinopse: Tom Green desempenha o papel de Gord Brody, um baldas que aos 28 anos muda-se para casa dos pais (Rip Torn e Julie Hagerty) e do irmão Freddy (Eddie Kaye Thomas), quando o seu grande sonho de se tornar num animador de cartoons não se concretiza. O filme fala das aventuras e desventuras pelas quais Gord passa, à medida que ele luta para atingir o seu sonho. Ao percorrer esse caminho, Gord encontra o amor e tenta melhorar a relação com o seu pai.

Crítica: Eu devo confessar que possuo uma característica curiosa, que não sei se todos os fãs de cinema possuem: além de procurar ver os filmes melhor cotados e mais conceituados, também gosto de ver filmes maus e procuro ver o máximo de filmes que estão mal cotados. Por vezes, acabo por considerá-los fracos ou mauzinhos. Outras vezes, encontro filmes que atingem o fundo do poço de tão maus que são. Freddy Got Fingered insere-se naturalmente nesta última categoria. Eu já conhecia o programa de televisão do Tom Green e não achava muita piada ao humor doentio dele, mas depois de ter gostado da sua personagem no filme Road Trip, fiquei curioso em ver este filme e verificar por mim próprio se era tão mau como diziam.

Doentio, nojento, abominável, repugnante e desagradável são algumas das palavras que podem ser utilizadas para descrever esta atrocidade cinematográfica. Eu sei que a comédia é algo subjectivo (uma pessoa pode não achar graça a uma piada e outra pode acha-la hilariante), mas isto já é demais. Se acham piada a um filme em que uma personagem estimula manualmente um elefante e direcciona o produto dessa estimulação a outra pessoa, vão adorar este filme. Além dessa cena, posso-vos falar também da cara-metade de Gord (uma paraplégica obcecada com sexo oral), da masturbação de um outro animal (ao mesmo tempo que é proferida aquela mítica frase: “Look, daddy, I'm a farmer”) e do rumor lançado por Gord de que o pai molestava o irmão (daí o nome do filme).

O argumento, como seria de esperar, é nulo e serve apenas para fazer com o que o filme atinja uma duração consideravelmente maior (aquilo a que chamo filler, cenas de pouca qualidade que preenchem os espaços que existem entre as cenas mais importantes do filme). O filme não só não tem piada como também se esforça por chocar o espectador, tentando que a cena seguinte seja mais doentia que a anterior. É claro que em termos de representação, as coisas não são melhores, tendo os actores feito o mínimo esforço para receber o cheque (mas também como as personagens são uni-dimensionais, isso também não faz muita diferença). Freddy Got Fingered é uma das piores comédias que vi e como não sou masoquista, nunca mais quero ver o filme e espero que algum dia as memórias que tenho dele desapareçam. James Berardinelli proferiu uma frase durante a sua crítica a este filme que o resume na perfeição: “Foi mais divertido ter sido submetido a uma colonoscopia do que assistir a este filme”.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Cinema - Review II (Bloodrayne)

Título Original: BloodRayne (2005)
Nota: 1,5/5 (Mau)
Realizador: Uwe Boll
Argumento: Guinevere Turner
Elenco: Kristanna Loken, Ben Kingsley, Michael Madsen, Michelle Rodriguez, Matthew Davis, Billy Zane, entre outros
Género: Terror/Acção
Duração: 95 minutos

Sinopse: A acção passa-se na Roménia, no século XVIII. Rayne (Kristanna Loken) é uma dhampir (parte humana, parte vampiro) que procura vingar-se do seu pai, Kagan (Ben Kingsley), o rei dos vampiros, por este ter morto a sua mãe. Pelo caminho, Rayne encontra os membros da Sociedade Brimstone (Michael Madsen, Michelle Rodriguez e Matthew Davis), que conseguem convencê-la a juntar-se a eles na luta contra o poderoso Kagan.

Crítica: Nos dias de hoje, Uwe Boll é considerado por muitos como um dos piores realizadores de todos os tempos. Esta “fama” foi obtida tendo em conta os últimos três filmes realizados por ele: House Of The Dead (2003), Alone In The Dark (2005) e BloodRayne (2005), sendo os três versões cinematográficas de videojogos de sucesso. Eu achei o Alone In The Dark razoável e estava a pensar que ele não era assim tão mau realizador, mas depois vi BloodRayne…

Parece que o elenco envolvido neste filme não se apercebeu que estava a fazer um filme baseado num videojogo, porque todos eles transmitem um nível de seriedade que não é justificado, como se não se tratasse de um filme xunga. O filme é patético e não gera qualquer interesse ou emoção. As cenas de acção são by-the-numbers, completamente rotineiras e banais (mas não se preocupem, porque sangue é o que não falta neste filme). As interpretações são wood pura, os actores dizem o diálogo sem qualquer tipo de emoção, como se tivessem a lê-lo directamente do papel. A certa altura, até introduzem uma cena de sexo, cujo único objectivo seria certamente tentar manter a audiência acordada. Os efeitos visuais não estão maus (nomeadamente as transformações em vampiros), assim como os cenários.

Para Ben Kingsley, este é mais um passo no sentido da destruição da sua credibilidade como actor, depois do ridículo Thunderbirds (2004), onde também interpretava o vilão. Kagan é um vilão patético e com um capachinho ridículo. Eu esperava que ao menos a luta final entre Rayne e Kagan fosse emocionante, mas não: pareciam mais que estavam a dançar do que a lutar até à morte. Em geral, acho BloodRayne um filme patético e que pode ser incluído na categoria camp (os chamados bons-maus filmes), já que é hilariante de um modo não intencional.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Cinema - Review I (Intro)

A partir da próxima semana, começarei a efectuar críticas de filmes que tenha visto e, como poderão perceber pelo título do blog, eu sou um movie buff no verdadeiro sentido da palavra. Não sou uma pessoa que vê só blockbusters e afins, eu gosto de quase todos os géneros de filmes e procuro ver todos os filmes conceituados ou que me interessem, o que também inclui naturalmente filmes a preto e branco e filmes mudos, já que alguns dos filmes que se encontram nessas categorias são considerados por muitos como alguns dos melhores filmes já feitos (exemplos: Citizen Kane, Schindler´s List, The Third Man, Metropolis, The Seven Samurai, etc).

Confesso que existem géneros de que não gosto tanto, principalmente os musicais e os filmes asiáticos (procuro sempre ver os filmes mais conceituados nessas categorias). Julgo estar bem informado relativamente às notícias do mundo da 7º Arte. Á medida que forem vendo as primeiras críticas, rapidamente se irão aperceber que eu sou (pelo menos julgo ser) bastante exigente e raramente dou boas notas a filmes.

Além disso, as reviews não serão testamentos enormes, mas sim (na maior parte dos casos) textos relativamente curtos, onde exponho uma sinopse seguida de uma análise do que acho que o filme tem de bom ou mau e o que poderia ter feito para melhorar a minha opinião.
Devo dizer que só costumo ler os comentários de 3 críticos: Roger Ebert, James Berardinelli e Pablo Villaça. Quanto ao sistema de avaliação, as notas variam entre 0 e 5 (se bem que dificilmente irão atingir qualquer um dos extremos).

É importante realçar que a esmagadora maioria dos filmes que vi apresenta notas que variam entre o 2,5 e o 3, sendo muito raro aparecer um filme que considere ser bom. É essa a maravilha do cinema, toda a gente tem uma opinião diferente. Por vezes, apresentarei na minha review alguns spoilers, mas não sem alertar primeiro para essa situação.